MAPA · DIPOA · Portaria 365/2021
Tecnologia e Inspeção de Produtos de Origem Animal
Material consolidado — abate de bovinos, inspeção post mortem e qualidade da carne.

Produtos de origem animal
São aqueles derivados de animais, abrangendo carnes, leite, ovos, pescado e mel. Possuem alto valor nutricional, mas exigem controle sanitário rigoroso para evitar doenças e contaminações.
Inspeção: essencial para garantir a segurança e a qualidade dos produtos, evitando contaminações e garantindo que sejam seguros para o consumo.
Tecnologia: busca inovar e melhorar a produção e a manipulação desses produtos, utilizando métodos e técnicas que aumentam a vida útil e a inocuidade dos alimentos.

Legislação e fiscalização no Brasil
São regulamentadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), através do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA). A legislação vigente inclui normas e diretrizes que garantem a segurança alimentar e a qualidade dos produtos destinados ao consumo humano. Os principais órgãos envolvidos na fiscalização são o MAPA e a ANVISA.
- Evitar doenças alimentares, como salmonelose e listeriose
- Garantir a qualidade do produto, aumentando sua segurança para consumo
- Cumprir exigências legais, prevenindo sanções e multas para empresas do setor
Certificação — selos de inspeção
- SIM — Serviço de Inspeção Municipal (Comércio dentro do município)
- SIE — Serviço de Inspeção Estadual (Comércio dentro do estado)
- SIF — Serviço de Inspeção Federal (Comércio nacional e exportação)
As certificações são concedidas exclusivamente a estabelecimentos fiscalizados e funcionam como canal de comunicação sobre a qualidade alimentar do produto ao consumidor final.
Manejo pré-abate de bovinos
Abate: processo intencional que provoca a morte de um animal, no âmbito de estabelecimentos regularizados pelos serviços oficiais de inspeção, cujos produtos são destinados ao consumo humano ou a outros fins comerciais (Portaria 365, de 16 de julho de 2021).
Abate humanitário: conjunto de operações baseadas em critérios técnicos que assegurem o bem-estar dos animais desde o embarque na origem até o momento do abate, evitando dor e sofrimento desnecessários. A Portaria 365/2021 aprova o Regulamento Técnico de Manejo Pré-abate e Abate Humanitário, estabelecendo os métodos de insensibilização autorizados pelo MAPA.
- Recepção: condução dos animais com cuidado
- Bretes e corredores: devem reduzir ao mínimo os ferimentos e o estresse
- Currais de chegada e seleção: separação e limpeza com chuveiros de aspersão
Etapas do abate de bovinos
1. Esfola
Separação do panículo subcutâneo e retirada do couro.
- Retirada do couro: por tração ou manual, através de facas
- Esfola do traseiro, dianteiro, lateral da carcaça e da cabeça
- Retirada dos mocotós traseiros e dianteiros (quando não retirados ao final da sangria)
- Retirada do úbere (fêmeas) ou do vergalho (machos)
- Oclusão do reto
2. Área limpa
Preparo da carcaça após a oclusão do esôfago.
- Desarticulação da cabeça após a oclusão do esôfago
- O conjunto cabeça e língua segue para a inspeção
- Abertura do cupim
- Serragem do peito
- Abertura da cavidade torácica para evisceração
3. Evisceração
Retirada dos órgãos internos com separação das vísceras.
- Vísceras brancas: tendões, vergalho, testículos, medula cervical, traqueia, aorta e nervo cervical
- Vísceras vermelhas: coração, pulmão, rins e língua
- As vísceras são acondicionadas em bandejas
- Encaminhamento imediato para a inspeção post mortem
4. Inspeção post mortem
Exame macroscópico completo da carcaça e das vísceras.
- Exame macroscópico das vísceras torácicas, abdominais e pélvicas
- Exame dos lados externos e internos das partes cranial e caudal da carcaça
- Exame dos linfonodos
- Julgamento e destinação da carcaça
Inspeção post mortem no abate de bovinos
- A. Exame dos pés (estabelecimentos exportadores)
- B. Exame do conjunto cabeça-língua
- C. Cronologia dentária
- D. Exame do trato gastrintestinal, baço, pâncreas, bexiga e útero
- E. Exame do fígado
- F. Exame dos pulmões e do coração
- G. Exame dos rins
- H. Exame dos lados internos e externos da parte caudal da meia carcaça e seus linfonodos
- I. Exame dos lados internos e externos da parte cranial da meia carcaça e seus linfonodos
- J. Carimbagem
Faca de esfola e desossa: destinada à desossa aérea (em nória) ou em bancada de traseiros e dianteiros bovinos. Em bovinos é usada na esfola; em aves, na sangria; e também em suínos, para diversos trabalhos de desossa.

Inspeção post mortem — objetivos e destinação
Exame macroscópico do conjunto cabeça-língua, da carcaça, das vísceras (fígado, pulmões, coração, baço, intestinos) e dos linfonodos. O médico veterinário tem acesso direto aos órgãos internos e à carcaça, podendo identificar lesões, alterações e patologias. Etapa fundamental para a confirmação de diagnósticos e para a garantia final da segurança e da qualidade da carne.
Objetivos: Saúde pública, Controle de zoonoses, Perdas econômicas, Comércio internacional, Bem-estar animal.
Localização: realizada nas linhas de abate (inspetores de linha) e no DIF, com controle rigoroso dos resultados.
- Liberadas: Consumo direto.
- Condenadas parcialmente: Remoção das partes afetadas.
- Condenadas totalmente: Destinadas às graxarias.
- Encaminhadas ao DIF: Departamento de Inspeção Final, para avaliação detalhada pelo médico veterinário.
Linhas de inspeção post mortem de bovinos (A – I)
Linha A — Patas, mocotós e lábios
Inspecionar espaços interdigitais, lábios e narinas, buscando lesões vesiculares ou ulcerativas.
- As peças acometidas devem ser identificadas para desvio, juntamente com os demais órgãos, cabeça e carcaça correspondentes
Linha A1 — Glândula mamária (úbere)
Inspeção visual, palpação e incisão dos linfonodos mamários e do parênquima.
- Obrigatória no abate de fêmeas, logo no início, para evitar contaminação da carcaça por leite ou conteúdo purulento em casos de mamite
- Alterações: a peça acometida é identificada e desviada ao DIF com os demais órgãos, cabeça e carcaça correspondentes
Linha B — Conjunto cabeça-língua
Inspeção visual e incisão dos músculos masseteres e pterigoides e dos linfonodos parotídeos, retrofaríngeos e sublinguais.
- Cisticercose (Taenia saginata / Cysticercus bovis) — condenação total: oito ou mais cistos viáveis ou calcificados, ou cistos em locais críticos como coração e músculos da mastigação
- Cisticercose — aproveitamento condicional pelo frio (-10 °C pelo período previsto em legislação): de 1 a 3 cistos viáveis ou calcificados em poucos locais
- Actinobacilose: doença infecciosa causada por Actinobacillus lignieresii, que vive no trato digestivo dos bovinos e provoca lesões na língua
Linha C — Cronologia dentária
Classificação etária dos animais em atendimento a exigências de outros países, realizada de forma separada, com carimbos identificadores ou etiqueta inviolável.
- Material Específico de Risco (MER): encéfalo, olhos e medula espinhal de animais com 30 meses ou mais devem ser inutilizados conforme o DSA e a Portaria MAPA nº 651/2022
Linha D — Trato gastrointestinal, baço, pâncreas, vesícula urinária, esôfago e útero
Inspeção visual, palpação e incisão dos linfonodos das cadeias mesentérica, gástrica e pancreática.
- Principais achados: processos inflamatórios, parasitoses e alterações hemorrágicas
- Peças alteradas seguem ao DIF junto do conjunto carcaça, cabeça e língua correspondentes
- Peças que não puderem ser desviadas podem ser condenadas na própria linha mediante autorização do MV
- A manipulação de intestinos e estômagos deve evitar a contaminação de outros órgãos
- Úteros com alterações restritas (endometrite, gestação inicial) recebem destinação na própria linha; com acometimento da carcaça, aumento de volume ou gestação adiantada, seguem ao DIF
Linha E — Fígado e vesícula biliar
Inspeção visual, palpação e incisão dos linfonodos hepáticos e dos dutos biliares.
- Condenação: presença de vários cistos hidáticos com caquexia (art. 155 do Decreto nº 9.013/2017) — larva de Echinococcus granulosus, zoonose parasitária endêmica
- Condenação: Fasciola hepatica com caquexia ou icterícia (art. 152 do Decreto nº 9.013/2017)
- Aproveitamento parcial: órgãos com lesões periféricas, calcificadas e circunscritas podem ser liberados após remoção das áreas atingidas
- Lesão limitada ao fígado: o órgão é condenado e a carcaça pode ser liberada
Linha F — Pulmões, coração e traqueia
Visualizar e palpar; incisar o saco pericárdico e os linfonodos (apical, traqueobrônquico, esofagiano e mediastinais); seccionar os grandes vasos; abrir os ventrículos e cortar o músculo cardíaco em folhas, expondo as câmaras.
- Havendo contaminação dos pulmões com comprometimento do saco pericárdico, o coração também deve ser inspecionado e condenado
Linha G — Rins
Inspeção aderidos à carcaça ou na mesa: exame visual e palpação (coloração, aspecto, volume e consistência) e incisão do parênquima renal.
- Alterações comuns: nefrites, infarto renal, hemorragias, cistos e parasitos
- Lesão localizada ou cistos isolados: condena o rim
- Abscessos múltiplos: condena o rim e avalia a carcaça
- Sinais de septicemia: condenação total
Linha H — Parte caudal das meias carcaças
Exame visual (aparência, aspecto, cor e odor) de articulações, cavidade pélvica, peritônio, superfícies ósseas e musculares.
- Linfonodos inguinais (ou retromamários nas fêmeas), pré-crural, ilíaco e isquiático
- Exame dos testículos
Linha I — Parte cranial das meias carcaças
Exame dos lados externo e interno e dos linfonodos correspondentes, com técnica específica para o diafragma.
- Diafragma separado da carcaça: visualização da musculatura em ambas as faces, assegurando a correlação com a respectiva carcaça
- Diafragma aderido à carcaça: incisões que exponham toda a musculatura interna
DIF — Departamento de Inspeção Final
Destina-se à recepção das carcaças, cabeças e órgãos desviados das linhas de inspeção. O julgamento e o destino das carcaças, das partes das carcaças e dos órgãos são atribuições do AFFA ou do médico veterinário.
- Verificar a correlação entre órgãos, cabeça e carcaça
- Identificar a localização e a natureza da causa que motivou o envio das peças ao DIF
- Toalete sanitária precedida da esterilização dos instrumentos a cada operação, prevenindo contaminação cruzada
- Destino final: parcial, total, condicional ou liberado
Principais causas de desvio para o DIF: Abscesso, Actinomicose / actinobacilose, Aderência de pleura, Broncopneumonia, Caquexia / magreza, Cirrose, Contaminação, Emergência, Cisticercose, Contusão, Linfadenite, Neoplasia, Mastite, Orquite / balanopostite, Pericardite / pleurite, Bursite, Pneumonia, Tuberculose.
Icterícia: Coloração amarelada da pele e mucosas, resultante do acúmulo de bilirrubina liberada durante a destruição das hemácias (quadro hemolítico).
Sarcosporidiose (Sarcocystis): Protozoários com predileção pela musculatura; causam febre, anorexia, salivação e debilidade.
Abate de aves — fluxograma
Área suja
- Recepção e área de espera: Espera dos caminhões em plataforma com ventiladores, protegendo as aves do calor e reduzindo o estresse antes do abate.
- Inspeção ante mortem: Conhecer o histórico do lote, jejum de 6 a 8 horas, avaliação clínica, detecção de doenças (Newcastle e Marek), lesões macroscópicas e identificação de lotes que exigem inspeção minuciosa.
- Pendura: As aves são penduradas pela articulação metatarsofalangeana no gancho da nória, em plataforma coberta, protegida de sol e chuva, com iluminação azul controlada para mantê-las calmas (bem-estar animal).
- Insensibilização: Eletronarcose: imersão de ponta-cabeça até a base das asas na cuba. O choque provoca despolarização neuronal e inconsciência — em geral 50 volts / 650 Hz, com até 12 segundos até a sangria. Sinais de ave consciente: respiração rítmica, bater de asas, vocalização e reflexo palpebral espontâneo.
- Sangria: Corte dos grandes vasos do pescoço (veias jugulares e artérias carótidas), além de traqueia e esôfago, sem retirar a cabeça. Manual ou mecânica, deve ser total em até 3 minutos.
- Escaldagem: Imersão em tanques de aço inox com água aquecida (em geral 57 °C a 63 °C por 90 segundos, variando com a velocidade da nória) para facilitar a remoção das penas e lavar impurezas da superfície da carcaça.
- Depenagem: Retirada mecânica total das penas por depenadeiras com discos giratórios e hastes de borracha em movimento circular, sem lesionar a pele.
- Pré-inspeção: Retirada da cabeça e dos pés.
Área limpa
- Evisceração: A evisceradora mecânica traciona o conjunto de vísceras, que segue em bandejas paralelas à respectiva carcaça em direção às linhas de inspeção post mortem.
- Inspeção post mortem: Exame visual macroscópico individual das carcaças e vísceras, supervisionado por médico veterinário oficial e executado por auxiliares e agentes de inspeção treinados, nas linhas distribuídas ao longo da sala de evisceração.
- Pré-resfriamento e resfriamento: Aspersão de água gelada em resfriadores contínuos tipo rosca ou câmaras frigoríficas: no pré-chiller a carcaça deve sair com no máximo 16 °C e no chiller com no máximo 7 °C.
- Gotejamento e sala de cortes: Retirada das pernas (coxa e sobrecoxa), asas, peito e filé de peito (sassami). O restante da carcaça segue por tubulação até a sala de processamento de CMS.
- Embalagem e armazenamento: Embalagem primária (contato direto com o produto) e secundária (papelão ou plástico), com selo do Serviço de Inspeção, código do produto, lote, data de fabricação, prazo de validade e descrição. Destino: câmaras de refrigeração (4 °C) ou túneis de congelamento (-12 °C mercado interno, -18 °C mercado externo).
- Expedição: Inspeção da temperatura, das embalagens e do peso do produto.
- Doença de Newcastle — Enfermidade viral altamente contagiosa e de notificação obrigatória. Sintomas: espirros e respiração ofegante, asas caídas, pernas distendidas, torção de cabeça e pescoço, falta de apetite e diarreia esverdeada.
- Doença de Marek — Patologia tumoral e imunossupressora causada por vírus da família Herpesviridae. Sintomas: paralisia de patas e/ou asas, incoordenação, queda das asas e dificuldade de locomoção.
Linhas de inspeção post mortem de aves
- Linha A — Inspeção interna da carcaça: Cavidades torácica e abdominal, rins, sacos aéreos, pulmões e órgãos sexuais.
- Linha B — Inspeção das vísceras: Proventrículo, moela, coração, pulmões, sacos aéreos, fígado, baço, pâncreas, bursa de Fabricius e intestinos delgado e grosso.
- Linha C — Inspeção externa da carcaça: Avaliação da pele e das articulações.
Carcaças e vísceras com alterações são encaminhadas ao Departamento de Inspeção Final (DIF) e as alterações registradas no quadro ábaco.
Critérios de julgamento — aves
Princípios gerais: Extensão da lesão, Caráter sistêmico ou localizado, Estado geral da carcaça, Risco à saúde pública.
- Condenação parcial: Condenação de partes com liberação do restante da carcaça e, quando for o caso, de suas vísceras.
- Condenação total: Carcaça considerada imprópria para o consumo humano — destinada à graxaria.
- Aproveitamento condicional: Carcaça ou partes passíveis de consumo humano após tratamentos específicos (arts. 172, 482 e 493 do Decreto nº 9.013/2017).
Aerossaculite
Inflamação dos sacos aéreos causada por infecções bacterianas, fúngicas ou virais e pela inalação de gases (amônia, CO₂), poeira e produtos químicos.
- Condenação parcial: Processo inflamatório sem repercussão no estado geral da carcaça e sem alteração nas demais vísceras.
- Condenação total: Processo inflamatório com repercussão no estado geral da carcaça e alteração nas demais vísceras.
Hemorragia muscular
Alterações musculares hemorrágicas, frequentemente relacionadas a falhas na insensibilização e a síndromes hemorrágicas.
- Condenação total: As doenças que podem causar a síndrome hemorrágica são, em sua maioria, de notificação obrigatória.
Artrites
Presença de hematomas nas articulações tibiotársicas, ponto de contato entre as pernas e os ganchos.
- Condenação parcial: Lesão unilateral — a pré-inspeção remove do gancho a perna afetada.
- Condenação total: Lesão bilateral, ou quando o estabelecimento não oferece condições de remover a lesão sem contaminar os equipamentos.
Aspecto repugnante
Alterações de cor, forma e odor que não têm outro enquadramento e causam repugnância.
- Condenação total: Condenação na pré-inspeção, visando preservar a higiene do processo de abate.
Canibalismo
Comportamento indesejável em que as aves se bicam para arrancar penas e consumir pele, tecidos ou órgãos, gerando lesões cutâneas de diferentes graus.
- Condenação parcial: Sem comprometimento sistêmico, a carcaça pode ser liberada após a retirada da área atingida.
- Condenação total: Lesões extensas e disseminadas com repercussão na carcaça.
Celulite
Processo inflamatório do tecido subcutâneo causado por agentes infecciosos, em forma de placa caseosa firme e amarelada logo abaixo da pele.
- Condenação parcial: Lesões restritas e sem reflexo na carcaça — condena-se a área afetada.
- Condenação total: Lesões em toda a carcaça.
Contaminação gastrintestinal e biliar
Contaminação por extravasamento de conteúdo do papo, gástrico, fezes ou bile.
- Liberação: Pode ser permitida a retirada da contaminação sem a remoção completa da área contaminada.
- Condenação parcial: Após remoção completa da contaminação, carcaças, partes, órgãos ou vísceras podem ser liberados.
- Aproveitamento condicional: Delimitadas as áreas contaminadas, as peças são destinadas à esterilização pelo calor.
- Condenação total: Quando não for possível delimitar a área contaminada.
Escaldada viva
Ave que chega ao tanque de escaldagem sem sangria efetiva.
- Condenação total: Ausência de corte de sangria no pescoço, observada antes da remoção da cabeça, e carcaça avermelhada.
Lesões de pele (dermatose e dermatite)
Dermatose: falhas de manejo e tecnologia — alta densidade populacional, mudanças bruscas de temperatura, deficiências nutricionais e cama inadequada. Dermatite: causas infecciosas ou inflamatórias.
- Liberação: Traumas recentes já cicatrizados ou falhas tecnológicas.
- Condenação parcial: Lesões localizadas e sem reflexo na carcaça.
- Condenação total: Lesão extensa, com evidência de caráter sistêmico e reflexo na carcaça.
Lesão traumática
Hematomas, fraturas, perfurações, cortes e abrasões.
- Condenação parcial: Lesões restritas a uma parte da carcaça ou a um único órgão — condenam-se apenas as áreas atingidas.
- Condenação total: Lesão extensa, múltipla ou com evidência de caráter sistêmico — condenam-se carcaça e órgãos.
- Destinação industrial: Equivalente à condenação total.
Neoplasia
Lesões tumorais identificadas na carcaça ou nas vísceras.
- Condenação parcial: Lesões neoplásicas discretas e localizadas, sem comprometimento do estado geral — a carcaça pode ser liberada.
- Condenação total: Neoplasias extensas com repercussão no estado geral, com ou sem metástase.
Septicemia
Órgãos aumentados, congestos e com coloração anormal. Lesões inflamatórias relacionadas a processos septicêmicos ou com reflexo sistêmico na carcaça demandam avaliação no DIF.
- Condenação total: Sempre que confirmada a septicemia.
Ascite
Extravasamento de líquido dos vasos sanguíneos e acúmulo na cavidade celomática.
- Liberação: Pequena quantidade de líquido claro ou âmbar, fluido e sem aderência — condenam-se as vísceras e libera-se a carcaça.
- Condenação parcial: Líquido ascítico fibrinoso, viscoso e aderente à cavidade abdominal e/ou vísceras — liberam-se asas, coxas, sobrecoxas, pés, pescoço e peito.
- Condenação total: Grande quantidade de líquido ascítico no abdômen e/ou hidropericárdio.
Condenação total: Caquexia, Contaminação generalizada, Doenças sistêmicas, Septicemia.
Condenação parcial: Aerossaculite restrita, Contusões, Fraturas, Lesão localizada.
Aproveitamento condicional: Tratamento térmico, Destinação industrial.
Suínos — fluxograma e identificação
- Inspeção ante mortem
- Insensibilização
- Sangria
- Escaldagem
- Depilação
- Chamuscamento
- Lavagem
- Evisceração
- Inspeção post mortem
- Lavagem final
- Refrigeração
É obrigatória a existência de um procedimento sistemático de identificação das carcaças, de suas partes e dos respectivos órgãos encaminhados ao DIF. O procedimento deve destacar o local da lesão e garantir a correlação entre carcaça e órgãos em todas as linhas de inspeção.
- Chapinhas tipo 1 — identificação do local preciso da lesão
- Chapinhas tipo 2 — correlação entre a carcaça e as vísceras
Linhas de inspeção post mortem de suínos (A – F)
Linha A1 — Cabeça e linfonodos da papada
- Inspecionar visualmente as cavidades bucal e nasal
- Incisar os músculos masseteres e pterigoideos
- Incisar os linfonodos parotídeos e as glândulas parótidas
- Observar a cor das mucosas
- Marcar com chapinha vermelha “tipo 1” o local preciso da lesão observada
- Cisticercose: Doença parasitária causada pela forma larval da Taenia solium (Cysticercus cellulosae). Cabeça desviada ao DIF.
- Sarcosporidiose: Causada por protozoários do gênero Sarcocystis, com alta prevalência em rebanhos e potencial zoonótico. Cabeça desviada ao DIF.
- Linfadenite: Causada por micobactérias, com lesões de necrose caseosa e calcificação dos linfonodos. Cabeça desviada ao DIF.
Linha A — Inspeção do útero
- Visualização e palpação, para detectar metrites, maceração ou mumificação fetal e adiantado estado de gestação
- Condenação na própria linha: Presença de exsudato discreto e alterações no endométrio (metrite sem repercussão).
- Condenação total: Metrite com exsudato supurativo e abundante, com reflexo na carcaça e/ou em outros órgãos, incluindo piometra.
Linha B — Intestinos, estômago, baço, pâncreas e bexiga
- Visualização, palpação e incisão
- Incisar em fatias os linfonodos da cadeia mesentérica e os gástricos
- Congestão do baço: Condenado na mesa de inspeção.
- Esplenite: Inflamação ou infecção do baço e de sua cadeia de linfonodos; condena apenas o órgão se não houver repercussão.
- Pneumatose intestinal: Múltiplos cistos gasosos de origem bacteriana/nutricional na parede intestinal.
- Enterite: Produção de toxinas por bactérias; o intestino vai para o DIF.
- Verminose: Condena o órgão.
- Linfadenite: Intestino desviado para o DIF.
Linha C — Coração e língua
- Inspecionar visualmente o coração e o pericárdio
- Incisar o saco pericárdico e palpar o órgão
- Destacar o coração dos pulmões, seccionando os grandes vasos da base
- Exame visual da língua, músculos, faringe e laringe, com palpação
- Incisão para pesquisa de cisticercose e sarcosporidiose
- Pericardite: Condena na mesa de inspeção.
- Pericardite purulenta: Desvia vísceras e carcaça para o DIF.
- Endocardite: Coração aumentado e congesto; desvio para o DIF.
- Língua contaminada: Contaminação (inclusive por arame) implica condenação na mesa.
Linha D — Pulmão e fígado
- Inspecionar visualmente a superfície dos pulmões, traqueia e esôfago, com palpação
- Incisar os linfonodos apical, brônquicos e esofágicos
- Incisar os pulmões para verificar metastrongilose, aspiração de sangue ou água e broncopneumonia
- Inspecionar e palpar fígado e vesícula biliar; incisar e comprimir os ductos biliares e incisar os linfonodos
- Marcar com chapinha vermelha (tipo 1) o local preciso das lesões com possível implicação na carcaça
- Aspiração de líquido: Pulmão condenado na mesa.
- Atelectasia: Colapso dos alvéolos pulmonares; condena na mesa.
- Distúrbios circulatórios e enfisema: Condenam o pulmão na mesa.
- Verminose pulmonar: Condena apenas o órgão.
- Pneumonia enzoótica: Agente etiológico Mycoplasma hyopneumoniae, com consolidação tecidual; condena na mesa.
- Pneumonia: Desvio para o DIF.
- Linfadenite pulmonar: Desvio para o DIF.
- Tuberculose: Com diagnóstico laboratorial; desvio para o DIF.
- Fígado — condenação total do órgão: Congestão, hidatidose, ascaridiose, Cysticercus tenuicollis e lesões semelhantes.
- Abscesso hepático: Sem repercussão, condena o órgão.
- Cirrose: Superfície nodular, endurecida e irregular, coloração amarelada a esbranquiçada, textura firme e cápsula retraída ou espessada; sem repercussão condena o órgão.
- Esteatose: Acúmulo de gordura no fígado; condena o órgão.
- Lesão de migração larval: Condena o órgão na mesa de inspeção.
- Peri-hepatite: Pode incluir fibrose, degeneração gordurosa ou hepatite discreta; condena o órgão.
- Telangiectasia: Causada pela migração larval de Ascaris suum, caracterizada por manchas; condena o órgão na mesa.
Linha E — Inspeção da carcaça
- Inspecionar visualmente cor, estado de nutrição e pele
- Verificar anormalidades nas articulações e massas musculares, realizando incisões
- Pesquisar contaminações de origem gastrointestinal ou biliar, contusões, abscessos, hemorragias e edemas
- Aderência de pleura: Bactérias/pneumonia; desvio para o DIF.
- Abscesso: Desvio para o DIF.
- Fratura: Desvio para o DIF.
- Artrite: Acúmulo de líquido sinovial na articulação; desvio para o DIF.
- Neoplasia: Desvio para o DIF.
- Infecção: Desvio para o DIF.
Linha F — Inspeção dos rins
- Inspecionar visualmente os rins fora da carcaça, apalpando-os e apreciando coloração, aspecto, volume e consistência
- Incisar a gordura perirrenal para pesquisa de estefanurose
- Estefanurose: Nematoide renal que pode atingir outros órgãos, como fígado e pulmões.
- Congestão renal: Desvio para o DIF.
- Congestão com infarto: Obstrução do fluxo sanguíneo restrita ao órgão; condena na mesa.
Suínos — DIF e destinação
- Remoção e condenação do tecido doente ou anormal
- Constatar se o processo patológico é localizado ou generalizado, agudo ou crônico
- Analisar distúrbios das funções do organismo animal
- Analisar possíveis danos à saúde do consumidor
- Verificar se é ofensivo ou repugnante
- Proteger a saúde dos animais
Condenação total: Doença sistêmica generalizada, Septicemia, Piemia, Icterícia intensa, Caquexia acentuada, Tuberculose generalizada.
Condenação parcial: Lesão localizada, Abscesso único, Pneumonia localizada, Fígado com "milk spots".
Aproveitamento condicional: Tratamento térmico (salsicha, conserva), Congelamento, Salga, Destinação industrial (graxaria).
Programas de autocontrole
Os estabelecimentos devem dispor de programas de autocontrole que são desenvolvidos, implantados, mantidos, monitorados e verificados. (Art. 74 do Decreto nº 9.013, de 2017)
- Registros sistematizados e auditáveis que comprovem o atendimento aos requisitos higiênico-sanitários e tecnológicos estabelecidos
- Controle de matéria-prima, animais vivos, rastreabilidade e bem-estar animal
BPF — Boas Práticas de Fabricação
Procedimentos que visam à prevenção de falhas nos processos e produtos, abrangendo todas as etapas — por meio da aplicação de medidas preventivas em todo o percurso do produto.
- Registros e documentação: Exige que cada atividade seja registrada, facilitando a auditoria e a rastreabilidade.
- Rastreabilidade: Permite identificar a origem e o destino de matérias-primas e produtos acabados.
- Instalações: Devem ser adequadas, com layout, iluminação e limpeza que assegurem higiene e segurança.
- Procedimentos operacionais: Devem ser padronizados e descritos em POPs para garantir controle e consistência.
- Controle de qualidade: Garante que o produto final atenda aos padrões e às normas técnicas estabelecidas.
Elaboração do manual: A elaboração do manual exige uma abordagem clara, técnica e bem estruturada: cada etapa precisa ser elaborada com objetividade e foco na prática.
- Controle da matéria-prima: inspeção, seleção e armazenamento adequados para evitar contaminações
- Instalações e equipamentos: manutenção preventiva e higienização frequente
- Higiene pessoal: uso de EPIs, boas práticas de asseio e treinamentos regulares para os colaboradores
- Procedimentos operacionais padrão (POPs): padronização de todas as etapas do processo para garantir repetibilidade e segurança
- Controle de pragas: medidas preventivas e corretivas para evitar a presença de vetores contaminantes
- Equipamentos: apropriados, bem conservados e higienizados para evitar riscos de contaminação
- Padrões rigorosos que asseguram a conformidade com normas nacionais e internacionais
- Controle de matérias-primas, higiene dos ambientes, capacitação das equipes e registro detalhado dos processos
Treinamento da equipe: Capacitar os colaboradores para aplicar corretamente os procedimentos definidos.
Implementação e monitoramento: Acompanhar a execução diária e realizar auditorias internas para manter o padrão de qualidade.
Regulação — ANVISA: Normas específicas do setor (A ANVISA define regras conforme o tipo de produto — POPs de alimentos, medicamentos, cosméticos ou produtos médicos.); Certificado de Boas Práticas de Fabricação (Emite o CBPF, documento que comprova que a empresa segue corretamente as BPF.); Fiscalização e auditoria (Realiza inspeções para verificar a conformidade com as normas e identificar possíveis irregularidades.).
PPHO — Procedimento Padrão de Higiene Operacional
Processos descritos, desenvolvidos, implantados e monitorados que visam estabelecer padrões elevados de higiene para um estabelecimento industrial alimentício.
Objetivo: Evitar a contaminação direta ou cruzada e a adulteração do produto.
- Segurança da água: Monitoramento da qualidade da água utilizada nos processos.
- Higiene de superfícies de contato: Limpeza e sanitização de equipamentos, utensílios, pisos, paredes e bancadas.
- Prevenção de contaminação cruzada: Separação de áreas, fluxos de produção e manipulação de alimentos.
- Higiene pessoal: Treinamento e capacitação de manipuladores de alimentos.
- Proteção contra contaminação do produto: Controle de embalagens, utensílios e ambiente.
- Identificação e estocagem de produtos tóxicos: Armazenamento seguro de produtos químicos.
- Saúde dos manipuladores: Monitoramento de condições de saúde e higiene pessoal.
- Controle integrado de pragas: Prevenção e monitoramento de pragas no ambiente industrial.
Características do PPHO:
- Conservação e manutenção sanitária de instalações, equipamentos e utensílios
- Frequência: antes, durante e após a operação industrial
- Especificação e controle das substâncias detergentes e sanitizantes e sua forma de uso
- Formas de monitorização e respectivas frequências
- Aplicação de ações corretivas
- Elaboração dos formulários de registro
- Assinatura do gerente do estabelecimento
- Nome do profissional responsável pela implantação
- Nome do funcionário responsável pela execução
- Nomes dos profissionais responsáveis pelas atividades de monitoramento
POP — Procedimento Operacional Padrão
É um documento que expressa um ou mais processos da empresa — uma espécie de manual interno que detalha tudo o que deve ser feito para que a operação seja padronizada e siga critérios de qualidade. Existem diferentes tipos de POP, que podem ser usados por diversos segmentos. São regulados pela ANVISA.
Como elaborar um POP:
- Definição clara do objetivo
- Identificação dos responsáveis
- Definição das condições de execução
- Descrição detalhada do passo a passo
- Inclusão de fluxogramas e anexos
- Regras e padrões a serem seguidos
Exemplo de POP: objetivo — Garantir limpeza adequada dos equipamentos.; frequência — após cada turno.
- Remoção de resíduos
- Lavagem com detergente
- Enxágue
- Aplicação de sanitizante
- Secagem
APPCC — Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle
Programa de autocontrole estruturado em sete princípios:
- Análise de perigos
- Identificação dos pontos críticos de controle
- Estabelecimento de limites críticos
- Monitoramento
- Ações corretivas
- Verificação
- Documentação e registros
Exclusão — materiais de risco especificado (EEB)
- Encéfalo — Qualquer idade
- Olhos — Qualquer idade
- Medula espinhal — ≥ 30 meses (bovinos e bubalinos)
- Amídalas — Qualquer idade
- Íleo (70 cm final do intestino delgado) — Qualquer idade
Utilizados para produção de farinha de carne e ossos (graxaria), considerados de risco para a Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) — Memorando CGI/DIPOA nº 8/2017 e Memorando CGI/DIPOA nº 001/2007.
Qualidade da matéria-prima
Estresse e queda do pH
O estresse antes do abate interfere na queda do pH, altera o rigor mortis e prejudica a carne, podendo originar carne DFD.
Genética
As raças interferem na curva de crescimento, no acúmulo de gordura, no peso da carcaça, na maciez e na cor da carne.
Alimentação
O excesso de gordura interfere na velocidade de resfriamento e no processo de conversão do músculo em carne.
Rigor mortis dos bovinos
Ocorre após o abate do animal, quando os músculos da carcaça se tornam enrijecidos, após a utilização de todo o ATP disponível no músculo. O tempo para o estabelecimento do rigor mortis varia conforme:
- Quantidade de reservas de energia (glicogênio) que o animal possuía antes do abate
- Temperatura do músculo
- pH do músculo
Carne DFD (dark, firm, dry)
Escura, firme e seca. É resultado do estresse crônico antes do abate, que gasta o glicogênio muscular, convertendo-o em ácido lático e resultando em uma carcaça com pH elevado. A carne DFD é mais suscetível a alterações microbianas devido ao seu pH elevado e à alta capacidade de retenção de água.
Carne normal: pH final normal, cor vermelho vivo e maior estabilidade. Carne DFD: pH elevado, cor escura e estabilidade reduzida.